O poder das palavras.
Um dia diferente!
O dia nasceu hoje vestido de brilho. Céu bem azul, aragem mais amena e o ar com cheiro a Esperança.
Sentada na mesinha rosa da esquina, tomava o café e lia o país. Na mesa do lado uma Senhora, de cara marcada pela idade, olhos de um azul triste, e corpo magrinho, olhava-me como se me quisesse dizer algo. Tomou coragem e, como desbloqueador do momento, usou as três padas que acabara de comprar.
"Temos que comer, não é?..." seguido de um sorriso sofrido, mas muito mais belo que um outro qualquer àquela hora.
Num piscar de olhos soube ser viúva há vinte e três anos, ou vinte e quatro não sabia precisar, que perdeu o seu irmão há três semanas, que vive sozinha desde que se lembra e que tem uma ferida de tanto coçar as varizes que não a largam. Ah! Também soube e vi que as suas calças castanhas são cardadas no interior.
Chorou a morte do seu irmão, de lenço de papel em mão, e eu não hesitem em arrancar-lhe um abraço. Fiz-lhe saber o quanto amorosa é e, que por isso e não só, devia agradecer o facto de cá estar, com um sorriso pelas manhãs.
Deu-me a mão e retribui-me com "vou guardar as palavras da menina todo o dia".
Eu vou guardar este momento toda a minha vida, esperando poder repeti-lo.
Bom dia! ☼
